
A grande ilusão
Milton Ayres
O grande trunfo da magia é nos fazer crer naquilo que não é real, é nos hipnotizar com a beleza dos truques e nos incitar a buscar uma resposta plausível para a ilusão. Por estes parâmetros, o filme “O Ilusionista”, de Neil Burger, é totalmente mágico. Ele prende o espectador não só com os truques de magia, mas também com o cenário, a caracterização de época e o roteiro muito bem estruturado.
A história gira em torno de um mágico que encanta as platéias de sua Viena natal no início do século XX. Por trás disso há uma história de amor entre ele, um homem simples do povo, e uma mulher da nobreza, a duquesa Sophie von Teschen. O romance começa ainda na adolescência do casal e é impedido pela família da moça, que dá um jeito de separar os dois. Com isso, o aprendiz de mágico viaja para a Europa Oriental e até para a China a fim de aperfeiçoar seus truques. Ao voltar, anos mais tarde, com o nome artístico de Eisenheim, encontra sua antiga paixão prometida para o herdeiro do trono austro-húngaro. Então ele vai fazer de tudo para tê-la em seus braços novamente, nem que para isso tenha que recorrer aos seus truques de magia.
O príncipe Leopold, incomodado com a repercussão que o mágico obtém na cidade, manda o inspetor de polícia investigar seus truques e provar que Eisenheim é uma fraude. Depois de ser humilhado publicamente pelo mágico na corte e de descobrir o romance secreto que existe entre ele e sua noiva, Leopold manda o policial fechar o teatro e prender Eisenheim. Nesse meio tempo ocorre um crime. Com seu ar de mistério e complacência, o mágico faz de tudo para provar sua inocência e se safar da prisão. O inspetor de polícia, também um homem simples do povo, se vê então dividido entre os indícios que incriminam o príncipe, seu chefe, e a tão sonhada promoção após a coroação dele.
O final é surpreendente e como uma boa mágica nos faz ver que tudo não passa de ilusão. Só não é ilusão neste filme a ótima atuação dos atores principais: Edward Norton (Eisenheim), Paul Giamatti (inspetor), Jessica Biel (Sophie) e Rufus Sewell (Leopold). Seus rostos pouco conhecidos e o indiscutível talento ajudam a dar uma veracidade maior à história ambientada no início do século passado. A belíssima locação utilizada, ao contrário do que se supõe, não é Viena e sim Praga. A trilha sonora é do consagrado compositor Philip Glass. E a preparação do ilusionista foi feita pelo inglês James Freedman, conhecido como “O Homem do Furto”, famoso pelos shows cômicos e participações em eventos, onde ele furta relógios, carteiras, cintos e gravatas na cara de todo mundo e a vítima nem percebe.
Se faltou magia neste texto para lhe convencer a assistir “O Ilusionista”, então saiba que o filme é uma adaptação do conto "Eisenheim the Illusionist", de Steven Millhauser, que recebeu o prêmio Pulitzer em 1997, e foi indicado ao prêmio “Independent Spirit Awards”, da Califórnia, por melhor roteiro. E se com tudo isso no meio do filme você ainda não estiver totalmente convencido, dê uma de mágico e desapareça do cinema!

Escrito por Milton Ayres às 16h16



