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Fazendo Arte

18/05/2008



Ruídos Urbanos

Aos amantes de literatura, indico o lançamento do livro Ruídos Urbanos de um grande escritor e amigo, Moacyr Moreira. O lançamento ocorrerá amanhã, dia 19 de maio, no Soteropolitano Restaurante e Bar, na Vila Madalena. Apareçam!


Escrito por Milton Ayres às 12h13
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02/03/2008

Foto e site: Camaleoa Produções

 

Aída

Milton Ayres

 

Tem espetáculo que a gente vai ver imaginando ser uma coisa e sai totalmente atordoado, trôpego e sem palavras com o inesperado da maravilha que viu. Pois foi exatamente esta a sensação que tive ontem à noite ao deixar a sala do Teatro Cultura Artística, onde assisti ao musical “Aída”, de Elton John e Tim Rice. Se você também quiser ter esta mesma experiência que eu, não se deixe influenciar pela mal-humorada crítica da revista Veja publicada recentemente.

 

Este musical é baseado na ópera “Aída” de Giuseppe Verdi, encomendada pelo governo egípcio, em 1870, por ocasião da inauguração do Canal de Suez. Entre as diversas versões que já teve pelo mundo, a de Elton John estreou em Atlanta, em 1998, e dois anos mais tarde na Broadway. No Brasil, é a primeira vez que recebemos este musical, sob a direção geral de Augusto Thomas Vannucci e a direção musical de Guilherme Terra.

 

A história não é de todo desconhecida do público brasileiro por causa das diversas montagens da ópera original por aqui, sendo a mais recente apresentada no final do ano passado. A diferença maior fica por conta do tom mais romanceado e popular, bem ao estilo dos musicais americanos. Um capitão do exército egípcio, Radamés, se apaixona por uma escrava núbia recém-capturada, Aída, sem saber que, na verdade, ela é filha do rei do país que ele acabou de conquistar. Como o capitão estava prometido para Amnéris, a filha do faraó, inicia-se um triângulo amoroso sem um final feliz.

 

Esta montagem brasileira não é das produções mais caras já vistas por aqui. A cenografia é bastante simples, com muito apoio de projeções em vídeo e poucas trocas de cenário. O figurino, se não é completamente luxuoso, tem peças muito bonitas e bem solucionadas. A coreografia não tem nenhum passo muito marcante e a iluminação é apenas correta. Então, você deve estar se perguntando, o que foi que me deixou tão deslumbrado neste musical?

 

A resposta é simples: as canções e as lindas vozes do elenco. Impossível desgrudar os olhos de atores tão afinados e com timbres tão marcantes para prestar atenção em qualquer outro detalhe. O espetáculo, na verdade, são eles! A Andrea Marquee, protagonista cuja voz e talento deixaram marcas nos musicais “Rent”, “Cambaio” e “Hair” e no programa Fama; o Matheus Herriez, protagonista cuja bela voz o alçou à fama no programa Popstars; a Naíma, outra protagonista que antes de nos fazer rir com sua excelente atuação participou dos musicais “Cazas de Cazuza” e “Modernidade”; a Carol Bezerra, coadjuvante com jeito de protagonista que interpretou Aracy de Almeida no filme “Noel: Poeta da Vila”; a bela Lívia Graciano, que também se destaca como coadjuvante e integra o quarteto vocal Cantrix; e muitos outros jovens talentos como Danilo Morais e Clara Camargo. Todos, sem exceção, dão um show de interpretação musical. Impossível não sair do teatro apaixonado por eles! Ah, outra grande surpresa deste musical é o jovem regente, arranjador, compositor e pianista Guilherme Terra, que dirige os 15 músicos da orquestra com muita competência. Pena que ela só seja revelada no final do espetáculo! Por tudo isso e muito mais que não consegui exprimir em palavras, não perca!

 

http://www.aidabrasil.com


Categoria: Teatro e Música
Escrito por Milton Ayres às 23h03
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03/01/2008

 

O Colapso do Brasil

Milton Ayres

 

Apesar dos números favoráveis da nossa economia, podemos considerar a virada de 2007 para 2008 como um marco do início do colapso estrutural do Brasil. Esta afirmação pode parecer um tanto pessimista para os mais desavisados, ainda mais por ser feita no início do ano, quando geralmente as pessoas estão mais otimistas e cheias de planos. No entanto, chego a esta conclusão por uma simples observação de um fato corriqueiro do cotidiano: o fluxo de turistas rumo ao litoral no final do ano. Este ano, “como nunca antes na história deste país”, assistimos horrorizados nos jornais televisivos aos enormes congestionamentos nas estradas de São Paulo que levam ao litoral. Por um lado, uma boa notícia: as pessoas estão com dinheiro e estão podendo gastar com lazer e viagens. Por outro lado, uma catástrofe anunciada: não estamos preparados para isso.

 

Explico melhor: há um ano, os índices de desemprego na maior cidade do país registravam alarmantes 17%, enquanto a média do Brasil era 10%. Hoje, após o fechamento dos dados do ano, tivemos a grata surpresa de ver este índice Brasil reduzido para 7,2%. Ou seja, mais pessoas ingressaram no mercado de trabalho. Outro dado que chamou minha atenção em 2007 foi o da expansão da indústria automobilística, cuja produção cresceu 14%. Com certeza, o aumento nas vendas de carros foi resultado do crescimento da renda e do emprego e da expansão do crédito e dos prazos de financiamento. Pontos para a economia! Em termos práticos, isso significou mais consumidores motorizados e com dinheiro pra invadir o litoral.

 

Voltando à questão da estrutura, o Brasil nunca foi um bom investidor em infra-estrutura básica. Prova disso é a falta de competitividade dos produtos brasileiros no mercado mundial, causada pelos altos custos de transporte e logística. Estradas ruins e portos antiquados encarecem nossos produtos de exportação, deixando o Brasil em desvantagem em relação aos países europeus e asiáticos. As estradas, pelo que ouvimos falar, só são boas dentro do Estado de São Paulo e, ainda assim, foi preciso esperar anos e as privatizações para duplicar nossas estradas mais movimentadas. A Imigrantes, que leva ao litoral, duplicada há cinco anos para acabar com os engarrafamentos, parece que a partir de agora já não dará mais conta do recado. E não foram só 1 milhão de carros que invadiram as praias! Se considerarmos uma média de 3 pessoas por carro, foram 3 milhões de pessoas causando filas nos supermercados, superlotação nas praias, aumento do consumo de energia e falta de água nas cidades. Um verdadeiro caos!

 

Diante deste quadro, fica mais fácil entender o tal colapso a que eu me referia no começo deste texto. Dá pra entender também porque o Brasil conseguiu se manter até hoje. Porque a grande maioria da população sempre esteve fora do mercado de consumo. Com o aquecimento da economia e os investimentos sociais, finalmente, muitas destas pessoas conseguiram romper esta barreira. Diminuímos a desigualdade social, mas enfrentamos a falta de estrutura. Ainda bem que o Brasil não é a China, que tem mais de 1 bilhão de habitantes!


Categoria: Livros e Viagens
Escrito por Milton Ayres às 00h39
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18/11/2007

 

Pardalzinho Piaf

Milton Ayres

 

Já faz quase duas semanas que eu vi “Piaf – Um Hino ao Amor”, mas até agora não consegui escrever uma linha sobre ele. Não que eu não tenha gostado ou que não queira indicar o filme, mas sim porque é realmente difícil encontrar as palavras certas para falar de uma história tão bonita e ao mesmo tempo tão trágica e de uma personalidade tão importante quanto ela.

 

Descobri esta cantora por acaso na adolescência, quando estudava francês, mas só vim a conhecê-la mais profundamente através da interpretação maravilhosa de Bibi Ferreira, no espetáculo “Piaf, a Vida de uma Estrela da Canção”, em 1983. Ali, já era possível vislumbrar o universo que influenciaria a trajetória da cantora e transformaria a música popular francesa para sempre. No filme de Olivier Dahan, porém, sua vida é totalmente exposta sem retoques.

 

Piaf, nascida Edith Giovanna Gassion, teve uma infância muito difícil, sendo abandonada pela mãe, uma cantora inexpressiva, e deixada pelo pai, um acrobata de rua, aos cuidados da avó, a gerente de um bordel. De saúde frágil, Piaf quase ficou cega e surda na infância, recebendo carinho e cuidados das prostitutas do local. Um dia, seu pai volta para buscá-la e leva-a para cuidar dele em uma vida mambembe de circo. Aos 14 anos, ela resolve abandoná-lo e começa a cantar pelas ruas. Até que é descoberta por um empresário da noite, Louis Leplée, que a lança no mundo artístico, dando-lhe o nome de La Môme Piaf, a pardalzinho, devido à sua baixa estatura. Fez muito sucesso na França, conviveu com muitos artistas importantes de sua época, como Charles Chaplin, Yves Montand e Marlene Dietrich, e vai aos EUA após a guerra, onde inicia uma carreira internacional brilhante. O dinheiro e a fama vieram, mas também a bebida e as drogas, prejudicando ainda mais sua saúde debilitada. Somados a isso, os fracassos amorosos e as perdas em sua vida talvez tenham sido os responsáveis por uma morte prematura, aos 47 anos de idade.

 

Não se sabe ao certo o porquê de quase todo grande artista morrer cedo. Talvez seja porque vivam intensamente suas vidas sem se preocupar com o amanhã. Nosso consolo é aproveitar a grandiosidade da obra que deixam para a posteridade. Acho que vivem pouco justamente para compensar a eternidade de suas obras. E para provar essa tese, navegando no site promocional do filme descobri que, mesmo depois de mais de 40 anos de sua morte, uma legião de fãs de todas as idades ainda cultuam esta grande artista. Clique aqui e divirta-se!

 

Voltando ao filme, impossível não comentar a interpretação de Marion Cotillard, cuja semelhança física, postura e modo de falar fazem com que a própria Piaf volte à vida. A artrite e a velhice prematura da cantora são representadas com perfeição. A maquiagem ajuda, mas sem o talento da atriz não é nada. As músicas, bem, as músicas não necessitam comentários. Elas nos alegram, nos emocionam, nos entristecem e nos fazem chorar. Ainda mais agora que ficamos sabendo o que havia por trás de sua história. Depois de mais de duas horas de filme e de muitas lágrimas enxugadas, não me surpreendi com os aplausos catárticos de uma platéia ainda meio atordoada.


Categoria: Cinema e TV
Escrito por Milton Ayres às 12h50
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14/11/2007

Caro leitor,

Aproveito este fim de semana prolongado em São Paulo para indicar a você três espetáculos de amigos queridos e muito talentosos: Alex Gruli, Léo Diniz e Fabrício Matheus. Aproveite!

QUINTA-FEIRA

Obs.: Quinta é a estréia e a inauguração do espaço próprio deste grupo superpremiado. Rua Adoniran Barbosa, 151.

SEXTA-FEIRA

Obs.: Sexta é a estréia e a inauguração deste novo teatro. Praça Roosevelt, 82.

SÁBADO E DOMINGO

Obs.: Este é o último final de semana para você conferir este texto polêmico. Rua Capote Valente, 667.


Categoria: Teatro e Música
Escrito por Milton Ayres às 00h15
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 36 a 45 anos, English, French, entretenimento em geral.


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